Superação das dificuldades

“A dor de ver um filho com dificuldade de aprendizagem e crescimento intelectual sem um diagnóstico é o pior que os pais de crianças podem enfrentar”. Assim, Renata Braga, 34, expressa seu sentimento diante da demora no diagnóstico dos filhos gêmeos, Rodrigo e Rafael, 9. Quando a mãe viu os filhos passarem por dificuldades no período de alfabetização escolar, sabia que havia algo errado, mas estava longe de ter certeza da fonte do problema. Somente há um ano os meninos foram diagnosticados: Rafael tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e Rodrigo, dislexia. As crianças nasceram prematuras, e, inicialmente, a mãe acreditou que essa fosse a razão da dificuldade na escola. “Os prematuros podem ter algum atraso no desenvolvimento e eu achei que essa fosse a razão de os meus filhos não compreenderem o que era solicitado a eles na escola”, explica. Começava aí a maratona aos diversos especialistas em busca de uma resposta. “Foram muitos caminhos, muito desânimo, muito desespero. Eu, por fim, estava acreditando que meus filhos eram incapazes e desobedientes. Eles também começaram a ser estigmatizados e chegaram a ser chamados de ‘burros’. Foi muito sofrimento”, lamenta. Hoje, os garotos recebem acompanhamento escolar, além de tratamento com fonoaudiólogo e psicopedagogo. A mudança e o apoio multidisciplinar contribuíram para que eles conseguissem passar para o 3º ano do ensino fundamental com aproveitamento acima de 80%. “Para qualquer mãe é razão de orgulho. Para mim, que abandonei a profissão e passei a ser mãe em tempo integral para que meus filhos pudessem contar comigo nessa fase, é uma vitória. Tenho orgulho de ver que são capazes e que só precisavam aprender a lidar com a dificuldade. São meus pequenos guerreiros“. Números Segundo dados da Associação Brasileira de Dislexia, de cada dez disléxicos diagnosticados no Brasil nos últimos anos, sete eram adultos. A falta de um diagnóstico e, consequentemente, de uma orientação adequada faz com que as sequelas da disfunção se estendam até a vida adulta, com todos os traumas e constrangimentos que a incompreensão acarreta. A dislexia afeta cerca de 5% a 17% de todas as crianças e uma em cada duas crianças que tenham histórico familiar da doença vai ter dificuldades de leitura, soletração e de decodifica-ção de palavras. Quanto ao TDAH, há um grande número de crianças com a doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde. Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), cerca de 3% a 5% das crianças brasileiras sofrem de TDAH, das quais de 60% a 85% permanecem com o transtorno na adolescência.

 

Publicado no Pampulha em 04/02/2012 disponível no O Tempo Online

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