Disputados pelo mercado

Medalha de bronze, o mineiro Thiago Guilherme recebeu convites para trabalhar em outros estados e ganhar salário até quatro vezes maior (André Stefano/Divulgação)

Profissionais que defenderam o Brasil em competição na Inglaterra ganharam não só medalhas como também boas ofertas de emprego

Carolina Lenoir*

Londres – Os 28 competidores brasileiros que representaram o país no WorldSkills, maior torneio de formação profissional do mundo, realizado este ano em Londres, na Inglaterra, levaram mais que suas ferramentas de trabalho na bagagem. Sobre os seus ombros, pesava também a responsabilidade de competir, de igual para igual, com jovens profissionais de países mais desenvolvidos, nos quais a educação é prioridade máxima. A conquista da segunda colocação, atrás apenas da Coreia do Sul e à frente de grandes apostas como Japão, Suíça e Reino Unido, lavou a alma dos competidores e arrancou aplausos de quem se acostumou a ver o país apenas como a terra do samba e do futebol.

Durante quatro dias de disputas, os participantes realizaram provas que simulavam desafios do dia a dia do trabalho em 46 profissões – os brasileiros competiram em 25. O objetivo era demonstrar habilidades técnicas e pessoais para executar as tarefas dentro de padrões internacionais de qualidade e do prazo estipulado. Além das 11 medalhas – seis de ouro, três de prata e duas de bronze – e de 10 certificados de excelência, a participação dos estudantes de cursos técnicos e profissionalizantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) rendeu também a inserção no mercado de trabalho.

O Senai garantiu a cada competidor um emprego como instrutor, além de bolsas de estudos para cursos universitários e cursos no exterior, mas muitos receberam propostas de trabalho em indústrias. É o caso do mineiro Thiago Guilherme Carvalho, de 21 anos, medalha de bronze na modalidade fresagem CNC, em que o profissional opera máquinas de usinagem por meio de comandos numéricos computadorizados.

Formado no curso de aprendizagem em mecânica geral do Centro de Formação Profissional Américo Renê Giannetti, no Bairro Lagoinha, Região Nordeste de BH, ele já recebeu convites na capital mineira, em Santa Catarina e em São Paulo. “A oferta em Joinville foi para receber um salário quatro vezes maior, porém quero atuar no meio acadêmico. Pretendo continuar sendo professor no Senai, fazer um mestrado e crescer nessa área. Quanto mais conhecimento, melhor”, explica Thiago, que se formou recentemente também no curso de graduação em mecatrônica industrial.

A oferta polpuda justifica-se por alguns fatores, como a crescente demanda do mercado por profissionais técnicos e a verdadeira peneira pela qual os jovens competidores foram escolhidos para o torneio internacional. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Senai no triênio 2009-2011, em 20 estados brasileiros, 72% dos estudantes formados em cursos de aprendizagem industrial, qualificação profissional e habilitação técnica estavam trabalhando em sua área de formação. Desses, 82% tinham carteira de trabalho assinada.

Já o processo de seleção começou nas etapas interescolares, seguiu para disputas regionais e, finalmente, para a Olimpíada do Conhecimento, competição nacional de educação profissional que no ano passado foi realizada no Rio de Janeiro. Os vencedores da olimpíada enfrentaram ainda duas provas simuladas, em que alcançaram os índices internacionais de qualidade e carimbaram o passaporte para Londres, que se mostrou uma grande oportunidade para uma intensa troca de conhecimentos técnicos e experiências sobre as ocupações.

*A repórter viajou a convite da Confederação Nacional da Indústria (CNI) MEMÓRIA

De penúltimo a vice-líder

Desde 1983, os estudantes do Senai representam o Brasil no WorldSkills. Naquele ano, dois alunos da instituição competiram com jovens de 18 países e ficaram na 16ª posição A primeira medalha do Brasil – uma prata na ocupação de tornearia – só foi conquistada em 1989, quando o torneio reuniu competidores de 21 países. Nas 15 edições em que participou do torneio bienal, o Brasil conquistou 18 medalhas de ouro, 15 de prata, 23 de bronze e 96 diplomas de excelência.

Fonte Jornal Estado de Minas

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