De olho na web

Um amontoado de informações é produzido diariamente em redes sociais como Facebook, Twitter e Orkut. Para decodificá-las, pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para a Web (InWeb, do qual fazem parte várias universidades federais) desenvolveram algoritmos capazes de vasculhar em segundos bilhões de mensagens sobre um tema pré-selecionado. Como resultado, eles apontam o foco de doenças e até quem será o próximo presidente do Brasil. Lançado no ano passado, o projeto Observatório da Web já teve 3 temáticas: Copa, eleições e, mais recentemente, dengue. O foco agora é mapear a torcida do Brasileirão e tentar salvar vítimas de desastres naturais. É o que conta o professor de Ciência da Computação da UFMG Wagner Meira, responsável pela empreitada.

* Como funciona o Observatório da Web?
Wagner Meira: Criamos algoritmos que fazem buscas por tema. Eles vasculham de forma quase instantânea mensagens em redes sociais para saber o que está sendo dito sobre aquilo. Ano passado, entraram no ar os observatórios sobre a Copa do Mundo e eleições. Os temas bombavam na época e queríamos saber o que as pessoas diziam e compartilhavam sobre eles. Em março, lançamos o Observatório da Dengue. A ideia é usar o que as pessoas postam nas redes sociais para descobrir em questão de horas casos de dengue que antes levavam dias para serem detectados.

* Como o projeto vai ajudar a combater a dengue?
Meira: Criamos uma busca de frases como “estou com dor” ou “estou com febre”. Usando dados de geolocalização (serviços que informam onde está o usuário), fazemos um mapa da ocorrência de novos casos. É importante que esta informação seja fresca, pois os surtos de dengue mudam de lugar de um ano para outro. Quando acontece em um bairro, em geral, a prefeitura se prepara para o ano seguinte. Mas o problema pode ocorrer em outra região, que ainda não tem infra-estrutura para combatê-lo.

* Como funcionam os algoritmos?
Meira: É como uma linha de montagem. Primeiro, programas fazem buscas na internet muito focadas em certas expressões. Depois vem a análise, que filtra o sentido daquela expressão. A palavra “ilha” pode significar uma ilha mesmo ou ser usada de maneira simbólica. Para chegar ao significado, então, o algoritmo analisa o sentimento do autor ao postar a mensagem. Na eleição, descobrimos que, ao contrário do que se pensava, os eleitores de Serra e de Dilma não seguiam só o seu candidato no Twitter, mas ambos. A preferência aparecia por meio do que a pessoa compartilhava. Mesmo não postando nunca, só pelo que retuitava dava para saber se era eleitor de Dilma ou Serra. Os algoritmos também relacionam cada informação com o que é conhecido como inteligência coletiva, que é olhar o consenso, o que a maioria pensa sobre um assunto. A apresentação, última etapa, mostra o que foi descoberto com as informações. Essa técnica é única no mundo.

* Quais serão os próximos Observatórios?
Meira: Pretendemos fazer um de desastres naturais. Na temporada de chuvas do ano passado, houve uma noite em que o sistema de comunicação de enchentes do Rio de Janeiro entrou em colapso. Os helicópteros não decolavam no temporal, faltava luz em vários bairros. Polícia, bombeiros e jornalistas ficaram ilhados, sem poder informar a população. Mas, no Twitter, as pessoas continuaram a enviar mensagens sobre os pontos de alagamento, quedas de árvores, áreas de risco etc. A partir da manifestação de várias pessoas você pode ter um alarme e ajudar a salvar vidas. Essa é nossa ideia. Também queremos criar o Observatório do Brasileirão, que vai captar o que a torcida está dizendo e sentindo, e uma rede com informações e estudos dos pesquisadores do InWeb. Isso vai ajudar a mapear a produção de ciência e tecnologia no Brasil.

Fonte.

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